Montar seu próprio simulado significa reunir questões de fontes confiáveis (PMI, livros de prep atualizados, material de curso) em blocos organizados por domínio, cronometrados de forma realista, e revisados com registro de erro por causa — não só certo/errado. Para o PMP, isso significa simular 240 minutos, 180 questões (170 pontuadas + 10 piloto), 2 intervalos de 10 minutos, respeitando os pesos People 33% / Process 41% / Business Environment 26%. Um simulado caseiro bem montado revela padrões de erro que um simulado pronto não mostra, porque você controla a composição.
Por que montar o próprio simulado (e quando não vale a pena)
Simulados comerciais são bons para calibrar seu nível geral — te dizem “você tiraria 68%” ou “você tiraria 82%”. O que eles não fazem bem é te dizer por que você errou uma questão de EVM às 2h da manhã de estudo e outra de gestão de stakeholders às 10h de sono decente. Um simulado caseiro, montado por você, resolve exatamente esse problema: permite isolar variável (domínio, tipo de questão, hora do dia, fadiga) de um jeito que nenhum produto pronto consegue, porque foi desenhado para audiência genérica, não para o seu padrão específico de erro.
Isso não substitui simulados completos e cronometrados — ver simulado completo no formato real do PMP 2026 para isso. É um complemento, principalmente na fase intermediária de estudo, quando você já tem uma primeira leitura do material mas ainda não está pronto para simulados de prova cheia.
Passo a passo prático
1. Escolha o domínio ou tema, nunca “PMP geral”. Um simulado caseiro genérico não ensina nada que um simulado comercial já não ensine. A força está em atacar um ponto fraco específico: EVM, caminho crítico, questões situacionais de stakeholder, gestão de riscos. Escolha um por sessão.
2. Defina o tamanho do bloco antes de começar. Blocos de 20-30 questões reproduzem melhor a fadiga real da prova do que blocos de 5-10. Blocos muito curtos inflam a sensação de domínio — você acerta 9 de 10 fácil, mas isso não prediz nada sobre acertar 153 de 180 em 4 horas.
3. Reúna questões de fontes qualificadas, nunca de bancos sem origem clara. Materiais oficiais do PMI, livros de prep atualizados para o ciclo de exame vigente (ver onde encontrar simulados confiáveis), e questões de curso PMI-ATP com instrutor credenciado são as três fontes que resistem a checagem.
4. Cronometre de verdade, com celular no modo avião. Para o PMP: 240 minutos / 180 questões ≈ 80 segundos por questão. Um simulado caseiro sem cronômetro não treina a habilidade que mais derruba candidato — gestão de tempo sob pressão.
5. Faça a sessão sem pausa artificial. Se a sua sessão simula um bloco de prova, respeite os 2 intervalos de 10 minutos apenas onde a prova real permitiria (após o item 60 e 120, no formato oficial), não sempre que estiver cansado.
6. Registre cada erro com causa, não só resultado. Errei porque não sabia o conceito? Porque interpretei mal o enunciado? Porque calculei errado (EVM, PERT)? Porque o tempo acabou? Cada causa pede uma correção diferente — ver como analisar seus erros no simulado para o método completo.
7. Refaça só as questões erradas depois de 5-7 dias, não no mesmo dia. Revisar no mesmo dia mede memória de curto prazo, não aprendizado real. O espaçamento de alguns dias mostra se o conceito realmente fixou.
8. Alterne domínio por sessão ao longo da semana. Estudar sempre o mesmo domínio cria falsa sensação de domínio total nesse tema e negligência nos outros. Distribua conforme o peso real do exame — mais tempo em Process (41%), proporcionalmente menos em Business Environment (26%), sem nunca zerar nenhum.
9. Não monte simulado caseiro nos últimos 5 dias antes da prova. Nessa fase, o formato certo é simulado completo cronometrado, não blocos temáticos — o objetivo muda de reforço para calibração final de resistência.
Limitações e cuidados
Um simulado caseiro nunca reproduz perfeitamente os tipos de questão novos do PMP 2026 (Case/Scenario-Based, Graphic-Based, Enhanced Matching, Point-and-Click, Pull-down) — para isso, simulados oficiais ou de PMI-ATP credenciado continuam insubstituíveis.
Questões escritas por você mesmo (ou por IA sem revisão humana especializada) tendem a ser mais fáceis do que a prova real, porque você já sabe a resposta ao formular a pergunta — use-as para reforço de conceito, não para calibrar nível.
Sem checagem de qualidade da fonte, um “banco de questões” pode conter erro factual desatualizado (ex: dado de edição anterior do ECO) — sempre confira contra a versão vigente do exame.
Perguntas frequentes
Preciso comprar um simulado pronto ou posso montar o meu?
Os dois funcionam, mas para reforço de pontos fracos específicos montar seu próprio simulado é mais eficiente do que refazer o mesmo banco genérico. O ideal é combinar um simulado completo comercial para calibrar o nível geral com simulados caseiros para atacar domínios específicos.
Quantas questões um simulado caseiro precisa ter para valer a pena?
Blocos de 20 a 30 questões reproduzem melhor a fadiga cognitiva real da prova do que blocos de 5 ou 10. Simulados completos de 170-180 questões devem ser feitos no máximo 2-3 vezes antes da prova.
Vale a pena cronometrar o simulado caseiro?
Sim, sempre. A prova do PMP dá 240 minutos para 180 questões — cerca de 80 segundos por questão. Treinar sem cronômetro esconde o problema real de gestão de tempo até o dia da prova.
Continue lendo: Banco de questões: onde encontrar simulados confiáveis (e quais evitar) · Como analisar seus erros no simulado · Flashcards PMP: 100 termos e conceitos que caem na prova
Qual domínio te dá mais trabalho hoje — People, Process ou Business Environment? Deixe nos comentários: pode virar tema de um próximo artigo desta série com simulado dedicado.
Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI Global (2025–2027), PhD Candidate no ITA e criador do Adapt OS. Autor de 13 livros e instrutor do LinkedIn Learning com mais de 465 mil alunos. trentim.com



