PMO: 50% são encerrados em três anos. O que vinte anos de pesquisa empírica revelam sobre por que isso não vai mudar — até que uma coisa mude.
24 estudos, 500 PMOs pesquisados, US$2 trilhões desperdiçados por ano. O problema não é de execução — é de concepção.
Em 2004, Crystall Dai e William Wells publicaram no International Journal of Project Management o primeiro estudo empírico de larga escala sobre a relação entre a existência de um PMO e o desempenho organizacional em projetos. Eles pesquisaram 234 organizações — 113 com PMO e 121 sem. A conclusão foi desconfortante: não havia evidência consistente de que ter um PMO melhorava os índices de entrega de projetos. Em algumas dimensões, as organizações sem PMO performavam tão bem quanto as que tinham.
Vinte anos depois, o PMI Pulse of the Profession 2025 informa que organizações desperdiçam coletivamente US$2 trilhões por ano em projetos que não entregam o que prometeram — o equivalente a US$1 milhão a cada vinte segundos. Apenas 36% das organizações realizam integralmente os benefícios que justificaram seus investimentos. Apenas 34% entregam no prazo e dentro do orçamento.
A maioria dessas organizações tem um PMO.
A questão que vinte anos de pesquisa colocam com crescente clareza é dupla: por que a proliferação de PMOs não resolveu o problema de entrega — e o que isso revela sobre o problema que o PMO foi originalmente projetado para resolver?
Este artigo revisa sistematicamente a literatura empírica e acadêmica sobre PMOs publicada entre 2004 e 2025 — incluindo revisões sistemáticas recentes nas bases Scopus, Web of Science e ScienceDirect — para mapear a lacuna entre o que o PMO promete e o que entrega, e o que a evidência aponta como caminho para além dessa lacuna.
Nota metodológica · Protocolo desta revisão
Esta é uma revisão sistemática narrativa da literatura sobre PMOs, Value Management Offices e realização de benefícios em projetos. As fontes primárias foram identificadas a partir de: (1) revisões sistemáticas publicadas entre 2019 e 2025 nas bases Scopus, Web of Science e ScienceDirect; (2) artigos empíricos originais no International Journal of Project Management e Project Management Journal desde 2004; (3) estudos de referência em gestão de benefícios, gestão de portfólio e design organizacional; (4) dados institucionais do PMI Pulse of the Profession 2025. O protocolo não segue PRISMA completo — é uma revisão narrativa com critérios explícitos de seleção de fontes. Fontes excludentes: artigos sem revisão por pares, materiais de fornecedores de software, certificações propriamente ditas. Período coberto: 2004–2025. Total de fontes primárias referenciadas: 20+.
O argumento se desenvolve em cinco movimentos. Primeiro, o diagnóstico empírico: o que as maiores pesquisas sobre PMOs documentaram — e o que ficou sem resposta. Segundo, o problema de taxonomia: a literatura identificou não uma estrutura, mas dezenas de configurações distintas, o que torna qualquer generalização sobre “o PMO” perigosa. Terceiro, a lacuna estrutural: a distância entre projetos concluídos e valor realizado não é operacional — é de concepção. Quarto, as tentativas de resposta: como o campo evoluiu dos modelos de controle para os de valor, e por que a transição tem sido mais difícil do que o rebatismo sugere. Quinto, as condições para a próxima geração: o que a evidência combinada indica como necessário — e o que ainda está por construir.
TL;DR
Crise documentada desde 2004. Dai & Wells (IJPM, 2004) já não encontravam correlação clara entre presença de PMO e melhor desempenho em projetos. Vinte anos depois, o PMI Pulse 2025 confirma que o problema não foi resolvido.
O PMO não é uma estrutura — é um rótulo. Monteiro, Varajão & Santos (PMJ, 2024) identificaram 16 tipologias e 60 tipos distintos de PMO na literatura. Hobbs & Aubry (2007) já haviam documentado 27 configurações em 500 organizações. A heterogeneidade é o fenômeno — não a variedade saudável.
50% dos PMOs são encerrados em até três anos. O padrão de criação → encerramento → recriação sob novo nome é documentado consistentemente pela pesquisa de Hobbs & Aubry (2007–2010) e pelo PMI.
Benefícios não se realizam sozinhos. Ward & Daniel (2006) e Bradley (2010) demonstraram que a cadeia output→outcome→impact raramente é gerenciada explicitamente. Serra & Kunc (2015) confirmaram empiricamente no Reino Unido: a realização de benefícios é inversamente proporcional à distância entre o aprovador do investimento e o gestor da entrega.
A lacuna é de concepção, não de execução. Rittel & Webber (1973) e Camillus (HBR, 2008) documentaram que ferramentas desenhadas para problemas bem-estruturados produzem soluções competentes para os problemas errados. Isso, em uma frase, descreve a crise do PMO convencional.
Implicação executiva: o problema não tem solução técnica. Tem solução de mandato, de métricas e de posicionamento organizacional. A pergunta não é “como melhorar o PMO” — é “o que vem depois do PMO”.
Figura 1 · Mapa cronológico da literatura PMO: marcos empíricos 2004–2025
Principais estudos empíricos e revisões sistemáticas ordenados temporalmente, com indicação da base de dados, amostra e contribuição central de cada um. Fonte: elaboração própria (Trentim, 2026) a partir de revisão sistemática narrativa da literatura 2004–2025. Ver referências ao final.
O que a pesquisa empírica documentou: vinte anos de evidência
O ponto de partida: Dai & Wells (2004)
O estudo de Crystall Dai e William Wells, publicado em 2004 no International Journal of Project Management, é o ponto de partida metodologicamente mais rigoroso da literatura empírica sobre PMOs. Com 234 organizações pesquisadas — 113 com PMO e 121 sem —, foi um dos primeiros a testar sistematicamente a hipótese de que a presença de um PMO melhora o desempenho em projetos.
Os resultados foram ambíguos em sentido preciso: em algumas métricas (padronização de processos, acesso à metodologia), as organizações com PMO performavam melhor. Em métricas de resultado de negócio — satisfação do cliente, retorno sobre investimento em projetos —, a diferença não era estatisticamente significativa. Dai & Wells foram os primeiros a documentar aquilo que pesquisas posteriores confirmariam repetidamente: que o PMO melhora aspectos de processo, mas não necessariamente o que importa para quem aprova o investimento.
A escala: Hobbs & Aubry (2007–2010)
Brian Hobbs e Monique Aubry conduziram entre 2005 e 2010 um dos mais ambiciosos programas de pesquisa sobre PMOs já realizados. Em sua primeira fase, publicada no Project Management Journal em 2007, pesquisaram 500 PMOs em 30 países e identificaram 27 configurações distintas. A conclusão central foi desconfortante: o PMO não é uma estrutura com função definida — é uma etiqueta organizacional que cobre realidades radicalmente diferentes.
Mais revelador ainda foi o dado de sobrevivência. Metade dos PMOs pesquisados tinham menos de dois anos de existência. O padrão se confirmaria em estudos posteriores, compilados pelo PMI: 50% dos PMOs são encerrados dentro de três anos de criação. A razão mais frequente não é incompetência — é incapacidade de demonstrar valor ao negócio.
“PMOs are created in response to a perceived organizational need and dissolved when that need is addressed or when the organizational context changes. They are inherently temporary arrangements.”— Hobbs, B. & Aubry, M. “A Multi-Phase Research Program Investigating Project Management Offices: The Results of Phase 1.” Project Management Journal, vol. 38, n. 1, 2007, p. 74–86.
Aubry, Hobbs & Thuillier (2007, 2008), em dois estudos subsequentes, foram além e caracterizaram o PMO como “inovação organizacional” sujeita a ciclos de vida — não como estrutura permanente. A implicação é significativa: a expectativa de que um PMO criado em determinado contexto organizacional permaneça relevante à medida que o contexto muda é uma expectativa infundada. O PMO precisa se reinventar, ou será encerrado.
A taxonomia mais precisa: Monteiro, Varajão & Santos (2024)
A revisão sistemática publicada em novembro de 2024 por Monteiro, Varajão & Santos no Project Management Journal representa o mapeamento mais abrangente das tipologias e tipos de PMO na literatura até hoje. Com base em busca sistemática nas bases Scopus e Web of Science, o estudo identificou 16 tipologias distintas e 60 tipos de PMO documentados na literatura empírica e conceitual — uma expansão considerável sobre os 27 de Hobbs & Aubry (2007), não por contradição, mas por metodologia mais abrangente e período mais longo de análise.
A relevância desta descoberta vai além da taxonomia. Se existem 60 tipos documentados de PMO, qualquer afirmação generalizada sobre “o PMO” — seja de defesa ou de crítica — está se referindo a uma média que não representa nenhuma instância real. A heterogeneidade é o fenômeno que precisa ser explicado, não normalizado. Por que organizações com desafios semelhantes constroem estruturas tão diferentes? E por que, apesar da variedade de estruturas, os problemas de realização de valor são tão consistentes?
PMO e gestão do conhecimento: Chadwick (2025)
Uma das revisões sistemáticas mais recentes, publicada em fevereiro de 2025 por Chadwick no International Journal of Management and Enterprise Research, examinou 55 artigos publicados entre 2014 e 2024 em três bases (Scopus, Web of Science e ScienceDirect) para investigar a relação entre PMO e gestão do conhecimento organizacional.
O estudo identificou quatro dimensões de valor que o PMO pode — mas frequentemente não consegue — gerar em termos de conhecimento organizacional, sintetizadas como os 4 Cs: coordination (coordenação de práticas e métodos entre projetos), control (controle de conformidade e governança), competence (desenvolvimento de competências de gestão de projetos), e culture (construção de cultura de entrega e accountability). A contribuição de Chadwick é mostrar que PMOs de alta performance tendem a operar nos quatro vetores simultaneamente — e que a maioria dos PMOs está ainda presa nos dois primeiros.
Melhores práticas de implantação: Pinto, Mello & Spiegel (2019)
A revisão sistemática de Pinto, Mello & Spiegel, publicada em 2019 na revista Sistemas & Gestão, sintetizou os estudos disponíveis sobre melhores práticas de implementação de PMOs para identificar os fatores que distinguem implantações bem-sucedidas das malsucedidas. Entre os achados recorrentes na literatura: patrocínio executivo visível e sustentado, alinhamento explícito entre o mandato do PMO e a estratégia organizacional, e métricas de sucesso definidas antes — não depois — da criação do escritório.
O que chama atenção é que esses fatores são amplamente conhecidos desde pelo menos os anos 2000 — e continuam sendo os principais pontos de falha. A literatura converge no diagnóstico. A implantação, repetidamente, ignora o diagnóstico.
Escritório lean e eficiência processual: Martins & Frederico (2025)
A revisão sistemática de Martins & Frederico, publicada em 2025 pela Emerald no International Journal of Industrial Engineering and Operations Management, examinou a aplicação de princípios lean à função de gestão de projetos — com foco particular nos escritórios de projetos como mecanismos de padronização de fluxo. O estudo contribui com uma dimensão que a literatura de PMO raramente aborda: a eficiência interna do próprio PMO como estrutura.
A implicação prática é direta: PMOs que consomem recursos expressivos em processos de reporting e conformidade — sem entregar insight acionável — são, eles mesmos, fontes de desperdício organizacional. O lean office aplicado ao PMO não é apenas uma questão de eficiência operacional; é uma questão de credibilidade institucional.
Valor sustentável: Hurt & Thomas (2009)
O estudo de Hurt & Thomas, “Building value through sustainable project management offices”, publicado em 2009 no Project Management Journal (vol. 40, n. 1, p. 55–72), examinou por meio de três estudos de caso como e por que alguns PMOs geram valor sustentável enquanto outros falham em demonstrar contribuição. O estudo propôs um framework de cinco níveis de valor que o PMO pode agregar — desde satisfação do cliente (Nível 1) até alinhamento estratégico e desenvolvimento de capacidade organizacional (Nível 5).
A contribuição central de Hurt & Thomas é mostrar que PMOs bem-sucedidos não são bem-sucedidos porque têm mais processos ou mais recursos — são bem-sucedidos porque têm clareza sobre em qual nível de valor estão operando e quais competências são necessárias para esse nível. PMOs que tentam operar no Nível 5 sem ter as competências de nível intermediário falham. PMOs que ficam eternamente no Nível 1 e 2 são encerrados porque não justificam custo.
Figura 2 · Taxonomia PMO: do modelo Hobbs & Aubry (2007) ao mapa Monteiro et al. (2024)
Evolução da classificação de PMOs na literatura empírica: de 27 configurações (2007) a 16 tipologias e 60 tipos (2024) — e o que a multiplicidade de tipos revela sobre o problema de definição. Fontes: Hobbs & Aubry (PMJ, 2007); Monteiro, Varajão & Santos (PMJ, 2024); Hurt & Thomas (PMJ, 2009). Elaboração própria (Trentim, 2026).
A lacuna que a literatura de projetos demorou a nomear: benefícios não se realizam sozinhos
Existe um corpo de literatura paralelo — e frequentemente ignorado pelas equipes de PMO — que trata especificamente da lacuna entre entrega de projeto e realização de valor organizacional. Ele se desenvolveu principalmente no campo da gestão de sistemas de informação e de mudança organizacional, e suas contribuições são, para os propósitos deste artigo, mais diagnósticas do que as da literatura de PMO propriamente dita.
Ward & Daniel (2006): o modelo de dependências de benefícios
John Ward e Elizabeth Daniel, do Cranfield School of Management, publicaram em 2006 Benefits Management: Delivering Value from IS & IT Investments — o texto que consolidou o framework de gestão de benefícios mais influente na literatura britânica. O argumento central é deceptivamente simples: benefícios não emergem automaticamente da entrega de um projeto. Eles emergem de mudanças no comportamento organizacional que o projeto viabiliza — e essas mudanças precisam ser gerenciadas ativamente.
Ward & Daniel propuseram o modelo de quatro etapas: (1) identificar e estruturar os benefícios esperados antes da aprovação; (2) planejar explicitamente a realização de cada benefício, com responsáveis designados; (3) executar o plano de realização de benefícios em paralelo — não depois — da implementação técnica; (4) avaliar e revisar os resultados contra as medidas de negócio definidas na etapa 1. A ferramenta central é a Benefits Dependency Network (BDN) — um mapa que conecta os objetivos do investimento aos benefícios esperados, às mudanças organizacionais necessárias e às entregas técnicas que as viabilizam.
A implicação para o PMO é direta e incômoda: se o PMO gerencia apenas as entregas técnicas — sem responsabilidade sobre as mudanças organizacionais e os benefícios associados —, está gerenciando a parte menos importante da equação de valor.
Bradley (2010) e a cadeia que ninguém gerencia
Gerald Bradley, em Benefit Realisation Management (2ª ed., Gower, 2010), formalizou a distinção entre output, outcome e impact — três conceitos que a prática de gestão de projetos frequentemente colapsa em um único conceito (”entrega”). O output é o que o projeto produz: o sistema instalado, o processo redesenhado, o produto lançado. O outcome é a mudança no comportamento organizacional que o output viabiliza: como as pessoas passam a trabalhar diferente. O impact é o resultado estratégico que a mudança de comportamento gera: a redução de custo, o crescimento de receita, a melhora de experiência do cliente.
“Most organizations focus on managing outputs — the tangible deliverables of a project. Benefits management requires a different focus: the changes in business performance that the outputs enable.”— Bradley, G. Benefit Realisation Management: A Practical Guide to Achieving Benefits Through Change. 2ª ed. Gower, 2010, p. 23.
A conclusão de Bradley — confirmada pela literatura subsequente — é que a maioria dos ciclos de vida de projeto encerram com o output. A pergunta “o benefício foi realizado?” raramente tem resposta porque raramente foi estruturada antes da aprovação do projeto. O PMO entrega o output, encerra o projeto, publica o relatório de encerramento. O outcome fica sem dono. O impact fica sem medição.
Serra & Kunc (2015): evidência empírica no Reino Unido
Carlos Eduardo Serra e Martin Kunc testaram empiricamente no Reino Unido, em estudo publicado em 2015 no International Journal of Project Management, a relação entre práticas de gestão de benefícios e realização de valor em projetos. A confirmação do que Bradley e Ward & Daniel descreviam conceitualmente: a realização de benefícios é inversamente proporcional à distância organizacional entre quem aprova o investimento e quem gerencia a entrega.
Quando o PMO está próximo da operação e distante do comitê de investimento, os benefícios ficam sem dono. Quem entrega o projeto não é responsável pelo comportamento pós-entrega. Quem é responsável pelo resultado financeiro raramente esteve envolvido na concepção do projeto. O hiato entre aprovação e execução é onde o valor se perde — e ele existe porque o PMO convencional não tem mandato para operar na fase de aprovação.
Figura 3 · A cadeia output → outcome → impact: onde o PMO atualmente opera e onde o valor se perde
Mapeamento do ciclo de vida típico de um projeto com indicação dos pontos de transferência de responsabilidade, onde os benefícios ficam sem dono, e a zona de atuação do PMO convencional vs. o que a gestão de benefícios requer. Fontes: Bradley (2010); Ward & Daniel (2006); Serra & Kunc (2015); PMI Pulse of the Profession 2025 (dado: 36% de organizações realizam benefícios integralmente). Elaboração própria (Trentim, 2026).
O problema não é o PMO. É o que o PMO foi projetado para resolver.
Existe um pressuposto implícito na criação de qualquer PMO: que o problema de execução organizacional é bem-estruturado. Que há um conjunto de melhores práticas, metodologias e ferramentas cujo domínio leva a resultados melhores. Que a disciplina resolve o gap.
O pressuposto está errado — e a literatura em outras áreas documenta isso há décadas.
Em 1973, Horst Rittel e Melvin Webber publicaram no Policy Sciences um artigo que, cinquenta anos depois, continua sendo um dos mais citados nas ciências da decisão: “Dilemmas in a General Theory of Planning”. Eles introduziram o conceito de wicked problems — problemas “perversos” — para descrever problemas que não têm solução técnica porque não têm definição estável. A definição do problema muda conforme se tenta resolver. Cada solução revela novas dimensões do problema. Não há teste definitivo de sucesso. Não há solução “certa e errada” — há soluções “melhores ou piores” em função de perspectivas que são intrinsecamente conflitantes.
Os problemas estratégicos que o PMO foi criado para ajudar a resolver são, na maioria, problemas desta natureza. A estratégia não é um plano a executar — é uma direção a navegar. O portfólio de projetos não é uma lista de tarefas — é uma aposta sobre o futuro. A entrega de um sistema de ERP não resolve a questão de como a organização vai operar em cinco anos. O PMO que entrega o ERP no prazo e no orçamento pode ter falhado estrategicamente — se o ERP era a resposta errada para a pergunta certa, ou a resposta certa para a pergunta errada.
John Camillus, em artigo publicado na Harvard Business Review em 2008 (”Strategy as a Wicked Problem”), aplicou explicitamente o framework de Rittel & Webber à estratégia corporativa. Sua conclusão: a maioria das grandes decisões estratégicas — entrada em novos mercados, transformações digitais, fusões e aquisições — são problemas perversos. Tentativas de resolver problemas perversos com metodologias desenhadas para problemas bem-estruturados produzem soluções competentes para os problemas errados.
Isso, em uma frase, descreve a crise do PMO convencional.
O PMBOK, o P3M3, o PMO Maturity Cube, os frameworks de certificação — todos foram desenhados para aumentar a previsibilidade em projetos que têm escopo definível, cronograma estimável, requisitos estáveis. São instrumentos excelentes para problemas bem-estruturados. O problema é que os projetos que mais importam para a estratégia de uma organização raramente são bem-estruturados no momento em que são aprovados.
O PMO que maximiza a entrega de projetos mal-concebidos é um PMO de alta performance que está destruindo valor.
Mankins & Steele, em pesquisa publicada na Harvard Business Review em 2005, documentaram que empresas entregam em média 63% do potencial de performance previsto em seus planos estratégicos. A lacuna não era de execução — era de tradução: as estratégias não eram comunicadas em termos que viabilizassem a priorização de projetos com clareza. O PMO, que recebe projetos para executar, raramente estava envolvido na etapa em que a estratégia deveria ter sido traduzida em mandatos claros de portfólio.
Três gerações de escritórios de gestão: o que mudou — e o que persistiu
Figura 4 · Três gerações de escritórios de gestão de projetos: evolução de mandato, métricas e limitação estrutural
Tabela comparativa PMO 1.0 (controle) / PMO 2.0 (valor) / próxima geração (execução estratégica adaptativa): foco principal, onde opera no ciclo de decisão, métricas de sucesso predominantes, e limitação estrutural persistente em cada geração. Fontes: Hobbs & Aubry (2007, 2010); Hurt & Thomas (2009); Bradley (2010); Nieto-Rodriguez (2019); Brunet & Müller (PMJ, 2024). Elaboração própria (Trentim, 2026).
PMO 1.0 · Controle e compliance (anos 1990–2000)
A primeira geração dos PMOs emergiu nas organizações de tecnologia da informação nos anos 1990, impulsionada pelo crescimento dos projetos de TI e pela necessidade de padronização. O mandato era claro: reduzir o caos. Padronizar metodologias, formar gestores de projeto, criar visibilidade sobre o portfólio de iniciativas. O modelo era o da inspeção e conformidade — o PMO como guardião do processo.
O PMO 1.0 entregou o que foi pedido. O problema foi que o que foi pedido não era suficiente. A padronização resolve dispersão — não resolve ausência de estratégia. A visibilidade de portfólio informa decisões — não as melhora se os critérios de decisão estiverem errados. Dai & Wells (2004) documentaram empiricamente o limite dessa geração: melhora de processo não implica melhora de resultado de negócio.
Hill (2004), em seu modelo de continuum de competências do PMO, descreveu cinco estágios de maturidade — do PMO inicial (centrado em suporte administrativo) ao Centro de Excelência (centrado em integração estratégica). A maioria dos PMOs de primeira geração operava entre os estágios 1 e 2. O continuum existe. Progredir nele exige mudança de mandato, não apenas de processo.
PMO 2.0 · Value Management Office (anos 2010–2020)
A segunda geração surgiu em resposta ao fracasso de demonstrar valor da primeira. O rebatismo era sintomático: PMO virou VMO, PMO estratégico, Delivery Office, Strategic Portfolio Management Office. O mandato expandiu: não apenas entregar projetos, mas garantir que os projetos certos fossem entregues pelos motivos certos.
O PMO 2.0 incorporou o framework de gestão de benefícios de Bradley (2010) e Ward & Daniel (2006), os princípios de alinhamento estratégico de Kaplan & Norton, e os conceitos de gestão de portfólio do padrão do PMI. A função de gestão do conhecimento — que Desouza & Evaristo (2006) haviam documentado como crítica para organizações multi-projeto — passou a fazer parte do mandato de PMOs mais maduros. Chadwick (2025) confirmaria retrospectivamente: PMOs que desenvolvem os 4 Cs (coordenação, controle, competência, cultura) simultaneamente são os que demonstram valor sustentável.
O progresso foi real. Mas o problema estrutural da segunda geração é diferente do da primeira: o VMO sabe o que deve entregar, mas ainda opera dentro do pressuposto de que o problema foi bem-estruturado antes de chegar a ele. O VMO melhora a qualidade da entrega de decisões tomadas antes de sua intervenção. A questão de se as decisões certas foram tomadas — o problema de estruturação e priorização na origem — permanece fora do seu mandato.
“The challenge is not to manage projects better. It is to identify and manage the right projects. Organizations that excel at project execution but fail at project selection consistently underperform.”— Nieto-Rodriguez, A. The Project Revolution: How to Succeed in a Project Driven World. LID Publishing, 2019, p. 87.
A transição incompleta — e por que é difícil
Brunet & Müller (2024), em estudo publicado no Project Management Journal, documentaram as conexões entre PMOs e design organizacional em organizações com alta maturidade declarada em gestão de portfólio. O achado central é contra-intuitivo: o mandato formal do PMO (o que está escrito na descrição de cargo e no organograma) é um preditor fraco de sua influência real. O preditor forte é a capacidade de framing — de definir como um problema será enquadrado antes que seja decidido.
O PMO que informa decide menos do que o PMO que enquadra. E a capacidade de enquadrar — de apresentar o problema de portfólio de forma que a decisão do comitê executivo seja guiada por critérios estratégicos, não por urgências operacionais — é uma competência radicalmente diferente das competências de entrega que definiram o PMO de primeira geração.
O contraditório que fortalece o argumento
Henry Mintzberg discordaria desta análise — e sua discordância merece ser levada a sério.
Em The Rise and Fall of Strategic Planning (1994), Mintzberg argumentou que a premissa de que estratégia é um plano a ser executado é uma falácia de controle. A estratégia real emerge da prática, não do documento. Organizações que tentam executar planos estratégicos formalmente elaborados frequentemente executam a estratégia do passado enquanto o mercado já mudou. Do ponto de vista de Mintzberg, a criação de estruturas formais como PMOs para “executar a estratégia” pode ser contraproducente — adiciona rigidez onde a adaptação é necessária, adiciona processo onde o julgamento é necessário.
A objeção é legítima — mas ela reforça a tese deste artigo, não a refuta. Se a estratégia é emergente e adaptativa, o escritório de execução estratégica precisa ser projetado para navegar na incerteza, não para executar certezas. O problema do PMO convencional não é ter estrutura demais — é ter a estrutura errada. Uma estrutura projetada para executar planos em ambientes de problema bem-estruturado, aplicada em ambientes de estratégia emergente e problemas mal-estruturados, produz exatamente o que Mintzberg critica: processo que substitui julgamento.
Bent Flyvbjerg traz uma objeção diferente — e igualmente importante. Em How Big Things Get Done (Currency, 2023), Flyvbjerg documentou empiricamente o desempenho de megaprojetos ao longo de oitenta anos e chegou a uma conclusão devastadora: a principal causa de falha em grandes projetos não é a execução — é o front-end. Projetos são aprovados com premissas sistematicamente otimistas (o que Kahneman chamou de “planning fallacy”), cronogramas irreais e orçamentos subestimados. O PMO que recebe esses projetos para executar começa em posição de desvantagem estrutural — não porque falhou, mas porque o fracasso foi inscrito antes da iniciação.
A implicação de Flyvbjerg para esta análise é direta: a intervenção crítica não é na execução. É na aprovação. O escritório que influencia apenas a execução está chegando tarde ao problema. A refutação possível — e parcialmente insatisfatória — é que melhorar o front-end depende de competências que o PMO convencional não tem: análise de premissas otimistas, comparação com projetos análogos (reference class forecasting), mapeamento de riscos de escopo. A próxima geração de escritórios precisa ter essas competências. Flyvbjerg não está errado — está descrevendo precisamente o que está faltando.
O que a evidência aponta como condições para a próxima geração
A revisão da literatura não aponta para um modelo único. Aponta para condições necessárias — ausentes na maioria dos PMOs existentes — para que a função de gestão de portfólio e execução estratégica possa gerar valor mensurável. Estas condições emergem da convergência de múltiplos corpos de pesquisa — gestão de projetos, gestão de benefícios, design organizacional e teoria da decisão.
Condição 1: Separação explícita entre entrega e valor, com proprietários para cada elo. A cadeia output→outcome→impact (Bradley, 2010; Ward & Daniel, 2006) precisa ter proprietários designados para cada elo — não apenas para o output. Serra & Kunc (2015) demonstraram empiricamente que essa designação de responsabilidade é o preditor mais forte de realização de benefícios. Enquanto o ciclo de vida de projeto encerrar com a entrega do output, a cadeia de valor permanecerá incompleta.
Condição 2: Estruturação do problema antes da aprovação. Rittel & Webber (1973) e Camillus (2008) documentaram que problemas mal-estruturados produzem projetos mal-especificados que geram soluções competentes para problemas que ninguém havia definido claramente. Flyvbjerg (2023) demonstrou empiricamente que o viés de otimismo no front-end é a principal causa de desvio em megaprojetos. A função de estruturação de problemas — distinguir o problema real do aparente, mapear stakeholders com interesses conflitantes, definir critérios de sucesso antes de definir soluções — precisa acontecer antes, não durante ou depois, da iniciação do projeto.
Condição 3: Gestão ativa de portfólio como carteira de apostas. O portfólio não é uma lista — é uma carteira de apostas sobre o futuro. A gestão de portfólio eficaz requer critérios explícitos para entrada (por que aprovamos este projeto), permanência (por que continuamos este projeto) e saída (quando paramos de investir neste projeto). Hurt & Thomas (2009) documentaram que PMOs de alto valor operam com critérios de saída tão rigorosos quanto os de entrada. A maioria dos PMOs não gerencia saída — o encerramento deliberado de projetos aprovados que perderam validade estratégica.
Condição 4: Posicionamento na estrutura de decisão, não apenas de acompanhamento. Brunet & Müller (2024) e Aubry, Hobbs & Thuillier (2007, 2008) convergem: PMOs que demonstram valor estão presentes em fóruns de decisão estratégica, não apenas em fóruns de acompanhamento. Isso não é uma questão de organograma — é uma questão de competência de framing. Um PMO que apenas reporta status não tem argumento para estar na mesa onde o status é decidido.
Condição 5: Capacidade de gestão do conhecimento organizacional. Chadwick (2025) demonstrou que PMOs de alta performance desenvolvem os 4 Cs simultaneamente — especialmente os dois últimos (competência e cultura) que são os mais difíceis de construir e os mais valiosos. Desouza & Evaristo (2006) já haviam identificado que organizações multi-projeto perdem valor sistematicamente por não capturar e reutilizar o conhecimento gerado em cada projeto. O PMO como mecanismo de aprendizagem organizacional é uma das contribuições menos exploradas e mais potencialmente valiosas da estrutura.
Figura 5 · Cinco condições para a próxima geração de escritórios de execução estratégica
Framework síntese da revisão: as cinco condições necessárias identificadas na literatura para que um escritório de projetos gere valor mensurável — e as fontes empíricas que sustentam cada condição. Fontes: síntese de revisão sistemática narrativa 2004–2025. Elaboração própria (Trentim, 2026).
Três perguntas operacionais para quem lidera um PMO hoje
Para o C-Level que está avaliando o PMO existente: a pergunta relevante não é “nosso PMO está entregando projetos no prazo e no orçamento?” — é “conseguimos traçar uma linha direta entre cada projeto aprovado e um resultado mensurável de negócio? E quem é o dono dessa linha?” Se a resposta é “não sabemos” ou “o PMO reporta a maturidade, não os resultados”, o problema não é de maturidade do PMO — é de mandato. Mandato não se resolve com novo framework. Resolve-se com nova conversa sobre o que o escritório existe para garantir.
Para quem lidera um PMO ou VMO: a pergunta relevante é “em quais fóruns de decisão estratégica estou presente — não como informante, mas como participante com voz sobre priorização?” Brunet & Müller (2024) documentaram que PMOs que enquadram problemas outperformam consistentemente PMOs que apenas informam sobre problemas. A presença no fórum de decisão é ao mesmo tempo condição de valor e condição de responsabilidade. Um PMO que não está na sala quando o portfólio é aprovado não pode ser responsabilizado pela qualidade das decisões de portfólio. Mas também não pode demonstrar valor estratégico.
Para Boards e comitês de investimento: a pergunta relevante é “qual é o processo pelo qual determinamos que um problema é suficientemente bem-estruturado para justificar a aprovação de um projeto para resolvê-lo?” Flyvbjerg (2023) documentou que a maioria dos grandes projetos são aprovados sem essa validação, com premissas de otimismo que a evidência histórica contradiz sistematicamente. A literatura de wicked problems (Rittel & Webber, 1973; Camillus, 2008) indica que muitos desses projetos não deveriam ser aprovados como projetos — deveriam ser explorados como processos de aprendizagem estruturada antes de se tornarem compromissos formais de investimento.
O ponto de inflexão do PMO — o momento em que passa de overhead para alavanca estratégica — raramente acontece pela melhoria de processos. Acontece quando o escritório se reposiciona na cadeia de decisão: de executor de escolhas feitas para co-autor das escolhas que serão executadas.
“The most common source of mistakes in management decisions is the emphasis on finding the right answer rather than the right question.”— Drucker, P. F. The Effective Executive. HarperBusiness, 1967, p. 11. Reimpresso Harper Essentials, 2006.
Drucker escreveu isso em 1967. A pesquisa empírica das últimas duas décadas sobre PMOs e realização de benefícios é, em boa medida, uma documentação sistemática das consequências de ignorar o aviso. Organizações investem na resposta certa — a metodologia certa, o framework certo, a ferramenta certa — antes de verificar se estão fazendo a pergunta certa. O PMO que existe para garantir a resposta, sem questionar a pergunta, está operando na dimensão errada do problema.
A próxima geração de escritórios de execução estratégica — seja qual for o nome que receba — precisará ser projetada para operar em ambas as dimensões: garantir a qualidade das perguntas e a qualidade das respostas. A evidência disponível indica que as organizações que conseguirem fazer isso terão uma vantagem estrutural sobre aquelas que continuarem a tratar execução estratégica como um problema técnico com solução técnica.
Nos próximos meses, publicarei aqui os fundamentos do modelo que estou desenvolvendo para essa próxima geração — um sistema de gestão que começa pela estruturação do problema, passa pela criação de valor antes de aprovar a entrega, e encerra com execução adaptativa em vez de execução por conformidade. O nome ainda não é definitivo. A evidência que o sustenta está neste artigo.
Palestras e workshops para organizações com Mário Trentim
Conduzo sessões de trabalho para lideranças sobre execução estratégica, gestão de portfólio de valor e a próxima geração de escritórios de projetos. Os temas deste artigo — lacuna execução→valor, mandato do PMO, realização de benefícios — fazem parte de um programa desenvolvido a partir da pesquisa empírica e de 20+ anos de prática em organizações de grande porte.
Próximas disponibilidades: agosto e setembro de 2026. Para organizações que queiram explorar estes temas com seus times de liderança, gestão de portfólio ou conselhos: mario@trentim.com
Uma pergunta para terminar
Você já encerrou um projeto bem-sucedido — no prazo, no orçamento, com aprovação do cliente — e, seis meses depois, concluiu que o valor esperado não se materializou? O que faltou entre a entrega do projeto e a realização do benefício? Quem deveria ter sido o dono dessa lacuna?
Se tiver um caso concreto — positivo ou negativo — que ilustre essa lacuna, a discussão nos comentários vai ser mais útil do que qualquer referência bibliográfica.
Próxima edição · sex 4/jul/2026 · Execution Gap Assessment: como medir a distância entre intenção estratégica e resultado
Se o PMO é o mecanismo, o execution gap é o diagnóstico. Na próxima edição: as cinco dimensões da lacuna execução→valor, uma ferramenta de autoavaliação organizacional, e por que a maioria dos executivos sênior superestimam consistentemente a qualidade de sua execução.
Referências bibliográficas desta revisão
Aubry, M., Hobbs, B. & Thuillier, D. (2007). “A new framework for understanding organisational project management through the PMO.” International Journal of Project Management, 25(4), 328–336.
Aubry, M., Hobbs, B. & Thuillier, D. (2008). “Organisational project management: An historical approach to the study of PMOs.” International Journal of Project Management, 26(1), 38–43.
Bradley, G. (2010). Benefit Realisation Management: A Practical Guide to Achieving Benefits Through Change. 2ª ed. Gower.
Brunet, M. & Müller, R. (2024). “Project management offices and organizational design: Connecting the dots.” Project Management Journal, 55(1), 12–29.
Camillus, J. C. (2008). “Strategy as a wicked problem.” Harvard Business Review, 86(5), 98–106.
Chadwick, P. (2025). “Project management offices and knowledge management: A systematic literature review.” International Journal of Management and Enterprise Research, 7(1), 45–78.
Dai, C. X. & Wells, W. G. (2004). “An exploration of project management office features and their relationship to project performance.” International Journal of Project Management, 22(7), 523–532.
Desouza, K. C. & Evaristo, J. R. (2006). “Project management offices: A case of knowledge-based archetypes.” International Journal of Information Management, 26(5), 414–423.
Drucker, P. F. (1967). The Effective Executive. HarperBusiness. Reimpresso Harper Essentials, 2006.
Flyvbjerg, B. & Gardner, D. (2023). How Big Things Get Done. Currency / Penguin Random House.
Hill, G. M. (2004). “Evolving the project management office: A competency continuum.” Information Systems Management, 21(4), 45–51.
Hobbs, B. & Aubry, M. (2007). “A multi-phase research program investigating project management offices: The results of phase 1.” Project Management Journal, 38(1), 74–86.
Hobbs, B. & Aubry, M. (2010). The Project Management Office (PMO): A Quest for Understanding. PMI.
Hurt, M. & Thomas, J. L. (2009). “Building value through sustainable project management offices.” Project Management Journal, 40(1), 55–72.
Mankins, M. C. & Steele, R. (2005). “Turning great strategy into great performance.” Harvard Business Review, 83(7), 64–72.
Martins, V. W. B. & Frederico, G. F. (2025). “Lean office in project management: A systematic literature review.” International Journal of Industrial Engineering and Operations Management. Emerald.
Mintzberg, H. (1994). The Rise and Fall of Strategic Planning. Free Press.
Monteiro, A., Varajão, J. & Santos, V. (2024). “A systematic review of project management office typologies, types and functions.” Project Management Journal, 55(6), 589–608.
Nieto-Rodriguez, A. (2019). The Project Revolution: How to Succeed in a Project Driven World. LID Publishing.
Pinto, J. S., Mello, L. C. B. & Spiegel, T. (2019). “Melhores práticas na implantação de escritórios de projetos: Uma revisão sistemática.” Sistemas & Gestão, 14(3), 312–325.
PMI — Project Management Institute. (2025). Pulse of the Profession 2025. PMI.
Rittel, H. W. J. & Webber, M. M. (1973). “Dilemmas in a general theory of planning.” Policy Sciences, 4(2), 155–169.
Serra, C. E. M. & Kunc, M. (2015). “Benefits realisation management and its influence on project success and on the execution of business strategies.” International Journal of Project Management, 33(1), 53–66.
Ward, J. & Daniel, E. (2006). Benefits Management: Delivering Value from IS & IT Investments. Wiley.
Mario H. Trentim
trentim.com · Board Member · PhD Candidate ITA · Keynote Speaker
Agradecimento especial aos pesquisadores que construíram o corpus empírico que torna este artigo possível — Monique Aubry, Brian Hobbs, Crystall Dai, Gerald Bradley, John Ward, Elizabeth Daniel, Bent Flyvbjerg, Antonio Nieto-Rodriguez e a nova geração de revisores sistemáticos cujos trabalhos de 2024 e 2025 expandiram significativamente o mapa do campo. A lacuna que este artigo documenta só é visível porque eles a mediram. Pesquisa de gestão que incomoda é pesquisa que importa.








Mário, muito obrigado por este artigo. Parabéns pelo trabalho — pesquisa de gestão que incomoda é, de fato, pesquisa que importa.