IPMA A/B/C/D: os 4 níveis explicados por quem tem o Level-A
Entenda como os quatro níveis da IPMA evoluem de conhecimento para liderança de alta complexidade — e por que a avaliação de competência real diferencia o modelo de certificações baseadas apenas em pr
A IPMA (International Project Management Association) certifica competência em quatro níveis progressivos: D (iniciante, conhecimento de base), C (profissional, 3 a 5 anos de experiência), B (líder de projetos complexos, 5 ou mais anos de experiência com pelo menos 3 anos em posição de liderança) e A (nível sênior, atuação em portfólio ou programa). Diferente do PMP, que é uma prova única, a avaliação IPMA combina relatório de experiência, entrevista e avaliação por assessores independentes — testando desempenho real, não só conhecimento teórico. Eu tenho o IPMA Level-A.
Por que decidi ir atrás do IPMA Level-A
Quando cheguei ao IPMA, já tinha anos de PMP, décadas de atuação em projetos e um caminho de carreira que passava por programas e portfólio, não mais por projetos isolados. O que me atraiu não foi a sigla — foi o processo de avaliação em si. O IPMA não pergunta “você sabe o que é um cronograma de linha de base”. Ele pede para você demonstrar, com evidência real de atuação, que sabe liderar em nível de portfólio ou programa complexo, sob avaliação de assessores que vão questionar sua experiência, não só testar sua memória de definições.
Isso muda o tipo de preparação inteiramente. Não existe “decorar para o Level-A”. Existe reunir evidência real do que você já fez, organizar essa evidência em um relatório estruturado, e sustentar essa narrativa diante de assessores em uma entrevista que vai pressionar exatamente os pontos mais frágeis do seu relato.
Os 4 níveis, um a um
NívelPerfilCritério aproximadoDIniciante em gestão de projetosConhecimento de base, sem exigência mínima extensa de experiência.CProfissional de projetos3 a 5 anos de experiência em gestão de projetos de complexidade moderada.BLíder de projetos complexos5 ou mais anos de experiência, com pelo menos 3 anos em posição de liderança de projeto complexo.ALíder sênior de portfólio ou programaAtuação comprovada em nível de portfólio ou programa, com histórico extenso de liderança sênior.
Repare que a progressão não é apenas “mais anos de projeto”. Do C para o B, o critério central passa a ser a complexidade e a posição de liderança. Do B para o A, o critério muda de escala inteiramente: deixa de ser sobre projeto complexo e passa a ser sobre portfólio e programa — o mesmo tipo de salto conceitual que separa PMP de PgMP e PfMP no universo PMI.
O que a entrevista realmente testa
A parte que mais gente subestima é a entrevista com os assessores. Não é uma conversa de confirmação — é um questionamento estruturado sobre o relatório de experiência que você submeteu, buscando exatamente os pontos onde a narrativa parece mais forte do que a evidência sustenta. Assessores experientes sabem separar quem liderou de verdade de quem estava presente enquanto outra pessoa liderava. Isso torna o processo mais desconfortável que uma prova de múltipla escolha — e, na minha experiência, mais honesto sobre o que a pessoa realmente sabe fazer.
O que o IPMA me trouxe que o PMP, sozinho, não traria
O PMP validou conhecimento amplo de prática de gestão de projetos, reconhecido globalmente, e abriu portas importantes ao longo da minha trajetória. O IPMA Level-A validou outra coisa: a capacidade de sustentar, sob questionamento direto de pares seniores, que a experiência de portfólio e programa que eu reivindicava era real. São credenciais complementares, não concorrentes — testam dimensões diferentes da mesma carreira.
Limitações e cuidados
O processo IPMA costuma ser mais longo e mais caro que uma prova única — envolve relatório de experiência, avaliação documental e entrevista com assessores.
A avaliação é conduzida pela associação nacional filiada à IPMA no país onde se aplica, o que pode gerar variação de processo e prazo entre países.
Reconhecimento de mercado no Brasil é menor que o do PMP — mais forte em ambientes com presença europeia ou multilateral.
Perguntas frequentes
IPMA é melhor que PMP?
Não é uma questão de qual é melhor, e sim de qual avalia o quê. O PMP testa conhecimento de um corpo de práticas em uma prova única. O IPMA avalia competência real ao longo de uma carreira, por meio de entrevista, relatório de experiência e avaliação por assessores — em geral um processo mais longo e mais caro, mas que testa desempenho, não só conhecimento teórico.
Dá para pular direto para o IPMA Level-A sem passar pelos outros níveis?
Não. A estrutura é sequencial e cumulativa: cada nível exige tempo de experiência e, na maioria das associações nacionais, evidência do nível anterior ou equivalente. O Level-A pressupõe anos de atuação sênior em portfólio ou programa — não é um exame isolado que se presta sem essa trajetória.
IPMA é reconhecido no Brasil?
É reconhecido, mas com muito menos volume de mercado que o PMP — o IPMA tem força maior na Europa continental, onde a associação nacional filiada à IPMA costuma ser referência local. No Brasil, ainda é uma credencial de nicho, mais valorizada em ambientes com forte presença europeia ou multilateral.
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Se você já passou (ou está passando) por um processo de avaliação IPMA, deixe sua experiência nos comentários — a entrevista com assessores é a parte que gera mais dúvida em quem está considerando o caminho, e histórias reais ajudam mais que qualquer descrição genérica do processo.
Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI Global (2025–2027), PhD Candidate no ITA e criador do Adapt OS. Autor de 13 livros e instrutor do LinkedIn Learning com mais de 465 mil alunos. trentim.com



