O que a SUNY ensina sobre projetos que as certificações internacionais ainda não ensinam
Entenda por que métodos e certificações não bastam — e como estratégia, comportamento e julgamento executivo transformam projetos em vantagem competitiva.
O programa Competitive Project Management da State University of New York (SUNY), coordenado por Mario Trentim em parceria com a IBS Americas, ensina gestão de projetos a partir de uma perspectiva diferente das certificações brasileiras: comportamental, estratégica e orientada a resultados. Acontece em janeiro, New Paltz e Albany, Nova York.
Existe um paradoxo recorrente nos programas de gestão de projetos. O profissional estuda, certifica, acumula horas de treinamento — e continua enfrentando os mesmos problemas de execução, as mesmas falhas de governança, o mesmo desalinhamento entre estratégia e entrega. A certificação não é o problema. O que ela mede é.
O que a State University of New York ensina sobre gestão de projetos não é um conjunto de frameworks mais avançados. É um conjunto de contextos que nenhum ambiente de certificação, por razões estruturais, consegue simular.
O que as certificações medem — e o que elas não medem
As principais certificações de gestão de projetos foram construídas para garantir um padrão mínimo de competência. Esse é o valor delas — e também o limite. Um padrão mínimo serve para garantir que o profissional sabe o vocabulário, conhece os processos e entende a teoria.
O que o mercado global está pagando mais não é o padrão mínimo. É a capacidade de aplicar esse conhecimento em ambientes de alta complexidade, com stakeholders de culturas diferentes, restrições que não estão no manual e decisões que precisam ser tomadas com informação incompleta.
Nenhuma certificação testa isso. O ambiente americano faz.
O que os brasileiros trazem — e o que o ambiente revela
O profissional brasileiro tem características que o diferenciam no contexto internacional. É dos mais empreendedores e proativos do mundo — a famosa capacidade de “se virar” em contextos de restrição funciona como vantagem real quando o projeto enfrenta o inesperado. E os latinos, de forma geral, são excepcionalmente fortes em soft skills: construção de relações, adaptabilidade, leitura de contexto social. Essas qualidades tornam esses profissionais valiosíssimos em equipes internacionais.
O que o ambiente americano revela — e que nenhum programa de certificação expõe — é a diferença entre soft skills em contexto familiar e soft skills em contexto estranho. Construir confiança com um colega brasileiro tem códigos implícitos que você absorveu em décadas. Construir confiança com um colega colombiano, americano e angolano simultaneamente, em inglês, em três semanas, é uma competência diferente.
É exatamente esse contexto que a SUNY cria. Turmas com profissionais de toda a América Latina e de países diferentes, com vivências que não se cruzariam em nenhum ambiente local. O trabalho em grupo não é exercício acadêmico — é a simulação mais próxima que existe de um projeto internacional real.
O que muda depois de três semanas nesse ambiente
Marshall Goldsmith documentou com precisão o problema que muitos profissionais de alto desempenho enfrentam quando saem do contexto em que se tornaram excelentes: o que te trouxe até aqui não vai te levar para o próximo nível.
O profissional que é referência no seu ambiente — na empresa, no setor, no mercado local — chegou a essa posição com um conjunto de comportamentos que funcionam naquele contexto específico. Quando o contexto muda, parte desse repertório não transfere. Às vezes atrapalha.
O ambiente SUNY não elimina esse repertório. Ele o recalibra. O participante descobre quais das suas competências têm valor universal e quais dependem de condições que ele levava por garantidas.
Competitive Project Management — o que isso significa na prática
A diferença entre um gerente de projetos e um líder de execução estratégica está exatamente aí. O gerente de projetos domina o processo. O líder de execução estratégica domina o processo e sabe operar quando o processo não é suficiente.
O programa Competitive Project Management na SUNY foi construído para desenvolver essa segunda competência — com casos, com contexto internacional, com a visita à sede da ONU em Nova York que coloca o participante diante de projetos de escala e complexidade que nenhum programa de certificação simula.
Competitive project management não é sobre ferramentas mais sofisticadas. É sobre a capacidade de operar em ambientes que o seu ambiente de origem não preparou você para enfrentar. É isso que separa o profissional certificado do profissional globalmente competitivo.
Limitações
1. O efeito de recalibração é difícil de medir. A tese de que o ambiente SUNY recalibra competências tem base na literatura (Goldsmith, Watkins) — mas não há estudos longitudinais sobre o impacto específico desse programa no desempenho posterior dos participantes.
2. Turmas internacionais têm qualidade variável. O laboratório de diversidade funciona quando há heterogeneidade real de perspectivas — turmas com concentração de participantes de um único país ou setor reduzem o efeito descrito.
3. Três semanas são insuficientes para competência intercultural plena. A imersão é um ponto de partida — não um substituto para anos de exposição a ambientes internacionais reais. O programa não forma gestores globais; abre o reconhecimento do que ainda falta.
O programa Competitive Project Management — parte do portfólio Next Generation Management da IBS Americas em parceria com a SUNY — acontece em janeiro na State University of New York, nos campi de New Paltz e Albany. Saiba mais →
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Que autor ou referência você usaria para explicar a diferença entre competência local e competência global?
Mario H. Trentim é keynote speaker e membro do Board of Directors do PMI Global (2025–2027). Doutorando em Engenharia Aeronáutica e Mecânica no ITA, autor de 13 livros e Academic Leader dos programas de gestão na CSUN e SUNY. trentim.com


