Strategic Thinking (SUNY): como a SUNY ensina pensamento estratégico executivo
Conheça o programa executivo que desenvolve análise, escolha e adaptação estratégica — indo além do planejamento formal para lidar com decisões complexas em ambientes globais.
O programa Strategic Thinking da State University of New York (SUNY), coordenado por Mario Trentim em parceria com a IBS Americas, desenvolve a capacidade de pensar estrategicamente como prática — não como planejamento anual. Inclui visita à sede das Nações Unidas em Manhattan. Acontece em janeiro, New Paltz e Albany, Nova York.
O que é o programa
Strategic Thinking é parte do currículo da SUNY no programa de três semanas em janeiro, com campi em New Paltz e Albany, Nova York. É componente central do programa Competitive Project Management, coordenado por Mario Trentim em parceria com a IBS Americas. Inclui visita obrigatória à sede das Nações Unidas em Manhattan.
A State University of New York é o maior sistema de ensino superior público dos Estados Unidos, com 64 campi e mais de 400 mil estudantes. Os campi de New Paltz e Albany, onde o programa acontece, estão a menos de três horas de Manhattan — o que permite que o programa use Nova York como laboratório, não apenas como contexto geográfico.
O programa é ministrado em inglês, com professores da SUNY e com a estrutura de casos e debates que caracteriza o ensino executivo americano. A turma é composta por executivos de diferentes países, o que é parte do design pedagógico — não variável aleatória.
Para quem é
O programa é desenhado para executivos com cinco ou mais anos de experiência e formação MBA que precisam desenvolver a capacidade de pensar estrategicamente como prática cotidiana — não como exercício de planejamento anual.
O perfil específico é o líder que já executa bem — que entrega resultados, que gere equipes, que conhece sua área — e que começa a perceber que o trabalho no próximo nível é fundamentalmente diferente. No nível executivo sênior, a competência central deixa de ser a execução técnica e passa a ser a escolha: o que executar, o que parar, onde alocar atenção e recursos escassos. Essa escolha exige pensamento estratégico — e pensamento estratégico é uma competência que raramente foi desenvolvida de forma explícita.
O programa também é adequado para líderes que participam de processos de planejamento estratégico nas suas organizações mas sentem que lhes falta a linguagem ou as ferramentas para estruturar a discussão com precisão — e que muitas vezes saem desses processos com a sensação de que as decisões relevantes não foram tomadas.
A distinção que o programa parte
Henry Mintzberg, em “The Rise and Fall of Strategic Planning” (1994), fez a distinção que o programa toma como ponto de partida: planejamento estratégico não é estratégia. Planejamento é a sistematização de decisões já tomadas — um exercício de coordenação e comunicação. Estratégia é o processo anterior: fazer escolhas sobre onde competir, o que priorizar, o que abrir mão.
A maioria das organizações tem planejamento. O documento existe, o ciclo anual acontece, os objetivos são formalmente definidos. Poucas organizações têm pensamento estratégico como prática operacional — a capacidade de fazer as perguntas certas antes de comprometer recursos.
O programa parte dessa distinção e a torna operacional. Não como framework teórico — mas como prática que o executivo leva de volta para a organização.
Antes do plano, a pergunta. A primeira habilidade do pensamento estratégico não é construir o plano — é formular a pergunta correta. Qual é a escolha que estamos realmente fazendo? O que estamos implicitamente assumindo como verdade? O que mudaria nossa conclusão?
O que o programa cobre
O conteúdo do programa se organiza em torno de quatro eixos. O primeiro é a distinção entre planejamento e estratégia na prática — com casos de organizações que fizeram a diferença entre os dois e de organizações que confundiram os dois e pagaram o preço.
O segundo eixo é análise competitiva. Michael Porter continua sendo referência — mas o programa o revisita para ambientes de alta velocidade de mudança, onde as cinco forças precisam ser lidas em modo dinâmico, não estático. O que define a estrutura de um setor quando as fronteiras setoriais estão se movendo?
O terceiro eixo é inteligência artificial como variável estratégica. Não como ferramenta operacional — mas como fator que está redefinindo as bases de competição em múltiplos setores simultaneamente. O executivo que não tem uma hipótese sobre como IA altera a estrutura competitiva do seu setor está tomando decisões estratégicas com uma variável material invisível.
O quarto eixo é a prática de raciocínio estratégico em inglês — com casos, debates e profissionais de outros países na mesma sala. Para o executivo brasileiro, a capacidade de estruturar e articular raciocínio estratégico em inglês é uma competência profissional que o programa desenvolve como consequência do conteúdo, não separadamente.
A visita à ONU
A visita à sede das Nações Unidas em Manhattan está incluída obrigatoriamente no programa — e não é recurso turístico. É parte do conteúdo.
A ONU coordena 193 países soberanos sem autoridade formal sobre nenhum deles. Não há hierarquia com poder de enforcement. Não há CEO que pode definir a decisão. O que existe é um sistema de alinhamento de interesses que precisa funcionar em contexto de divergência radical de valores, culturas e objetivos.
Para o executivo brasileiro formado em organizações hierárquicas — onde conflitos se resolvem com escalação — a ONU demonstra que existe outro modelo operacional. Alinhamento sem autoridade formal é a competência que define o líder eficaz em contextos matriciais, multistakeholder e internacionais. O programa usa a ONU para tornar esse argumento concreto e observável.
O que diferencia de outros programas
Daniel Kahneman, em “Thinking, Fast and Slow” (2011), descreve o pensamento rápido — Sistema 1 — como o modo default de tomada de decisão: rápido, automático, baseado em padrões reconhecidos. O pensamento lento — Sistema 2 — produz análise real, mas é custoso e é ativado com resistência.
Pensamento estratégico é, fundamentalmente, desenvolver a capacidade de acionar o Sistema 2 mesmo sob pressão de tempo e ambiguidade. Quando todos ao redor estão reagindo — e a pressão para reagir é intensa — o líder que consegue pausar para formular a pergunta certa antes de comprometer recursos está exercendo uma competência rara.
O que diferencia o programa não é apenas o conteúdo — é o ambiente. Uma turma composta por executivos de diferentes países, com experiências profissionais radicalmente distintas, discutindo o mesmo problema em inglês cria pressão cognitiva que não existe em programas homogêneos. O colega do setor financeiro enquadra o problema de uma forma. O colega de infraestrutura enquadra de outra. Esse contraste é o que força o pensamento estratégico a sair do automático.
Processo de candidatura e bolsas
O acesso ao programa é via IBS Americas. O processo inclui avaliação de fit de perfil, documentação e entrevista. Bolsas de até 60% estão disponíveis para candidatos com perfil adequado. O programa acontece em janeiro — e dado o número limitado de vagas, a antecedência na candidatura é determinante para o acesso às melhores condições.
Limitações
Strategic Thinking é uma competência — não um resultado garantido de um programa de três semanas. O programa cria contexto de desenvolvimento, pressão cognitiva e ferramentas. A consolidação da competência exige prática continuada depois do programa. Executivos que esperam sair com um conjunto de respostas prontas terão a expectativa calibrada errada.
O programa exige cinco ou mais anos de experiência executiva e formação MBA. Profissionais em início de carreira executiva — mesmo com potencial evidente — não têm a bagagem mínima para aproveitar o nível de discussão. O fit de perfil é avaliado no processo de candidatura pela IBS Americas.
A visita à ONU está incluída no programa mas está sujeita a confirmação por edição. Verifique a disponibilidade da visita para a edição específica com a IBS Americas antes de incluir esse componente como determinante na decisão de candidatura.
Leia também: Competitive Project Management na SUNY: guia completo do programa · O que a visita à ONU inclui e por que está no programa · Investimento, bolsas e processo de candidatura SUNY
Candidatura ao programa Strategic Thinking — SUNY
Acesso ao programa é via IBS Americas. Bolsas de até 60% para perfis qualificados. Programa em janeiro, New Paltz e Albany, Nova York.
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Mario H. Trentim é keynote speaker e membro do Board of Directors do PMI Global (2025–2027). Doutorando em Engenharia Aeronáutica e Mecânica no ITA, autor de 13 livros e Academic Leader dos programas de gestão na CSUN e SUNY. trentim.com


