CSUN ou SUNY: como escolher o programa certo para você
Compare foco acadêmico, perfil de participante, época do ano e objetivos de carreira para identificar qual experiência internacional faz mais sentido para o seu momento profissional.
Mario Trentim, Academic Leader dos programas de gestão na California State University Northridge (CSUN, julho) e na State University of New York (SUNY, janeiro), em parceria com a IBS Americas, responde à pergunta mais frequente dos profissionais brasileiros: qual dos dois programas é certo para mim? A resposta depende de perfil, momento de carreira e objetivo.
Antes do plano, a pergunta. E a pergunta certa não é “CSUN ou SUNY?” A pergunta certa é: “O que preciso desenvolver agora, e qual dos dois programas entrega exatamente isso?”
Esta é a pergunta que mais recebo de executivos brasileiros que já decidiram fazer um programa executivo internacional e estão na fase de escolha. Este artigo é minha resposta direta — sem enrolação, sem marketing. Só o que é relevante para a decisão.
1. A pergunta que mais recebo
Coordeno os dois programas. Estive nos dois campi. Vi dezenas de profissionais brasileiros passarem pelos dois. A pergunta “qual é melhor?” é a errada — porque pressupõe que há uma resposta genérica quando a resposta depende inteiramente do perfil de quem pergunta.
O que é possível responder de forma genérica: os dois programas têm qualidade institucional, os dois entregam credencial com peso internacional real, os dois têm turmas formadas por executivos brasileiros sérios. A distinção entre eles não é de qualidade — é de foco, de perfil e de momento de carreira.
2. A resposta curta: são programas diferentes para momentos diferentes de carreira
Fazer menos, fazer melhor — e o primeiro passo para fazer melhor é escolher o programa que corresponde ao que você precisa agora, não ao que parece mais impressionante no currículo.
CSUN foi desenhada para executivos seniores — 40 anos ou mais, com pelo menos 10 anos de experiência em gestão, já em posições de direção ou C-level, que precisam aprofundar competências de governança de portfólio e liderança organizacional em contextos de alta complexidade.
SUNY foi desenhada para executivos em aceleração — 25 a 35 anos, com MBA e pelo menos 5 anos de experiência, que estão se movendo do mid-management para posições de liderança e precisam desenvolver um repertório de gestão competitiva com perspectiva internacional.
Isso não significa que executivos de 45 anos não vão para a SUNY ou que profissionais de 30 anos não vão para a CSUN. Significa que o design curricular, o perfil das turmas e o nível de discussão esperado em cada programa estão calibrados para esses perfis.
3. Tabela comparativa completa
4. Quando escolher a CSUN
Escolha a CSUN se pelo menos três das seguintes condições forem verdadeiras para você:
Você tem mais de 10 anos de experiência em gestão, com histórico substantivo em PMO, portfólio de projetos ou direção de operações.
Você está em posição de diretoria, VP ou equivalente — ou vai assumir uma posição nesse nível nos próximos 12 a 18 meses.
Sua principal lacuna não é fundamentos técnicos de gestão de projetos, mas repertório de tomada de decisão em governança de portfólio complexo.
O contexto californiano — Los Angeles, economia de tecnologia e entretenimento, diversidade cultural extrema — é relevante para os mercados em que você atua ou pretende atuar.
Julho é o período mais viável para você ausentar-se da organização por três semanas.
A acreditação AACSB da escola de negócios é um critério relevante para o posicionamento institucional da credencial.
O guia completo da CSUN tem o detalhamento de cada um desses pontos, incluindo a estrutura curricular, o perfil das turmas e a descrição do que acontece nas três semanas do programa.
5. Quando escolher a SUNY
Escolha a SUNY se pelo menos três das seguintes condições forem verdadeiras para você:
Você está entre 25 e 35 anos, tem MBA e pelo menos 5 anos de experiência em gestão de projetos em ambientes corporativos.
Você está se movendo do mid-management para uma posição de liderança e quer expandir o repertório de gestão competitiva antes de assumir responsabilidades maiores.
A visita à sede das Nações Unidas em Manhattan é relevante para o tipo de projeto ou organização com que você trabalha — ou pretende trabalhar.
O contexto de Nova York — um dos principais centros financeiros e culturais do mundo — é uma imersão que agrega ao seu desenvolvimento profissional.
Janeiro é o período mais viável para você ausentar-se da organização.
Você trabalha ou pretende trabalhar com organizações internacionais, projetos multilaterais ou ambientes de alta diversidade cultural.
O guia completo da SUNY detalha o programa, o campus, a estrutura curricular e tudo que é relevante para a decisão.
6. Quando fazer os dois
Existem executivos que fizeram os dois programas — SUNY num ano, CSUN em outro. O padrão mais comum é: SUNY primeiro (25–35 anos, gestão competitiva e perspectiva internacional) e CSUN depois (40+ anos, governança de PMO e liderança sênior).
Os que fizeram os dois relatam, de forma consistente, que as experiências são complementares — não redundantes. Nova York em janeiro e Los Angeles em julho são contextos tão diferentes que mesmo os temas que se sobrepõem (gestão de portfólio, estratégia, liderança) são abordados de ângulos suficientemente distintos para que o aprendizado marginal da segunda experiência seja substantivo.
Isso não é um argumento de venda para fazer dois programas. É um dado empírico reportado por quem fez. Se você está no momento certo para a SUNY, faça a SUNY. Se estiver no momento certo para a CSUN, faça a CSUN. A sequência se resolve no tempo.
7. O que não deve ser critério de decisão
Existem razões frequentes para escolher um programa que são, na prática, irrelevantes ou enganosas.
“Los Angeles parece mais legal do que Nova York em janeiro.” Preferência climática é um critério de férias, não de desenvolvimento profissional. O valor do programa não está no clima — está na qualidade do conteúdo, no perfil da turma e no alinhamento com o que você precisa desenvolver.
“A AACSB faz a CSUN melhor do que a SUNY.” A acreditação AACSB é um critério de qualidade de escola de negócios — relevante para candidaturas a posições em organizações que reconhecem especificamente essa acreditação. Para a maioria dos executivos brasileiros, o critério mais relevante é o alinhamento do programa com o perfil profissional, não o tipo de acreditação.
“Prefiro janeiro porque tenho férias de verão no Brasil.” Se o critério de decisão é exclusivamente o calendário pessoal, a escolha pode estar sendo feita com a variável errada. A pergunta mais relevante é qual programa corresponde ao que você precisa desenvolver agora.
“A SUNY tem a ONU — parece mais impressionante.” A visita à ONU é substantiva para quem trabalha em contextos multilaterais ou projetos internacionais. É um detalhe decorativo para quem não tem essa interface. O que impressiona no currículo não é o destino da visita — é o que você faz com o que aprendeu.
8. Framework de decisão: 4 perguntas
Se depois de ler tudo acima a escolha ainda não está clara, responda estas quatro perguntas em sequência. Elas foram desenvolvidas a partir das conversas mais produtivas que tive com executivos brasileiros em processo de decisão.
Pergunta 1: Qual é o meu gap real agora?
Não o gap que parece mais sofisticado, não o que os outros executivos da organização estão desenvolvendo. Qual é a lacuna concreta na sua capacidade de liderança ou gestão que mais limita sua performance atual?
Se o gap é governança de portfólio e liderança de PMO em ambientes complexos → CSUN, Advanced Topics.
Se o gap é repertório de gestão competitiva e perspectiva internacional para posições de liderança em expansão → SUNY, Competitive Project Management.
Se o gap é liderança adaptativa em contextos de transformação → CSUN, Leadership in the Age of Disruption.
Se o gap é comunicação executiva e estruturação de problemas → CSUN, Design Thinking & Storytelling.
Se o gap é estratégia de negócios e vantagem competitiva → SUNY, Strategic Thinking.
Pergunta 2: Qual é o meu perfil e momento de carreira?
25–35 anos, MBA, 5+ anos, em aceleração para liderança → SUNY.
40+ anos, 10+ anos de gestão, em posição de diretoria ou C-level → CSUN.
Entre esses perfis → analisar o gap (Pergunta 1) e o período disponível (Pergunta 3).
Pergunta 3: Qual período é operacionalmente viável para mim?
Posso me ausentar em julho por 3 semanas → CSUN é operacionalmente viável.
Posso me ausentar em janeiro por 3 semanas → SUNY é operacionalmente viável.
Ambos são viáveis → voltar para Pergunta 1 e Pergunta 2.
Pergunta 4: Qual contexto geográfico é mais relevante para o meu desenvolvimento?
Trabalho com tecnologia, entretenimento, exportações para o mercado americano costa-oeste → Los Angeles e a Califórnia são contextos com maior relevância direta.
Trabalho com finanças, projetos internacionais, organizações multilaterais, ou o mercado americano costa-leste → Nova York e o contexto SUNY são mais relevantes.
Ambos são igualmente relevantes (ou nenhum é especialmente relevante) → a decisão se reduz ao perfil e ao período.
9. Limitações deste artigo
Este artigo não substitui a entrevista de alinhamento: a IBS Americas faz, para todos os candidatos, uma conversa estruturada de triagem que considera o histórico profissional específico e o objetivo de curto e médio prazo. Nenhum artigo captura esse nível de individualização.
Os perfis descritos são típicos, não absolutos: existem candidatos de 38 anos que se encaixam melhor no perfil CSUN e candidatos de 42 anos que extraem mais valor da SUNY. Os critérios de perfil são orientadores, não cortes rígidos.
Programas e turmas evoluem: a oferta de programas específicos pode variar de um ciclo para outro dependendo da demanda e da disponibilidade de professores. As informações deste artigo refletem a oferta do ciclo 2026–2027 conforme disponível na data de publicação.
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Próximos passos
Se depois do framework acima a decisão ainda não está clara, o próximo passo mais produtivo não é ler mais artigos. É conversar com a equipe da IBS Americas.
Bolsas de até 60% estão disponíveis para candidatos elegíveis nos dois programas.
Mario H. Trentim é keynote speaker e membro do Board of Directors do PMI Global (2025–2027). Doutorando em Engenharia Aeronáutica e Mecânica no ITA, autor de 13 livros e Academic Leader dos programas de gestão na CSUN e SUNY. trentim.com




